Dr. Guilherme Humeres Abrahão | CRM-SP 147.629 | RQE 82.382

Resumo rápido, introdução, anatomia, conceito, epidemiologia, causas, classificação e sintomas

Hérnia Parastomal: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Resumo rápido

A hérnia parastomal é um tipo de hérnia da parede abdominal que surge ao redor de uma ostomia (estoma), como colostomia, ileostomia ou urostomia. Ela ocorre quando parte do intestino ou da gordura abdominal protrui através do orifício criado cirurgicamente para exteriorização do estoma.

É considerada a complicação tardia mais frequente das ostomias e pode surgir meses ou anos após a cirurgia.

Embora muitas hérnias parastomais provoquem apenas um abaulamento ao redor do estoma, algumas podem causar dor, dificuldade para adaptação da bolsa coletora, vazamentos frequentes, obstrução intestinal e encarceramento.

O tratamento depende da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida e do risco de complicações. Em pacientes sintomáticos, a cirurgia pode ser indicada para reconstrução da parede abdominal.

Hérnia parastomal: uma complicação relativamente frequente das ostomias

A confecção de uma ostomia salva vidas.

Ela pode ser necessária em pacientes com câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais, trauma abdominal, perfurações intestinais, complicações cirúrgicas ou diversas outras doenças do aparelho digestivo e urinário.

Para criar um estoma, o cirurgião realiza uma abertura controlada na parede abdominal, permitindo que parte do intestino ou do trato urinário seja exteriorizada.

Embora esse procedimento seja seguro e indispensável em muitas situações, a abertura criada na musculatura representa um ponto permanente de fragilidade da parede abdominal.

Com o passar do tempo, o aumento da pressão intra-abdominal pode alargar esse orifício, favorecendo o surgimento da hérnia parastomal.

Trata-se da complicação tardia mais frequente dos pacientes ostomizados e uma das principais causas de desconforto, dificuldade no manejo da bolsa coletora e necessidade de reoperações.

Neste guia, você entenderá como essa hérnia se desenvolve, quais são seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções modernas de tratamento.

Anatomia do estoma e da parede abdominal

A parede abdominal é formada por músculos, fáscias e tecido conjuntivo responsáveis por sustentar os órgãos internos.

Quando uma ostomia é confeccionada, cria-se deliberadamente um orifício através dessas camadas para exteriorizar o intestino ou o trato urinário.

Em condições ideais, esse orifício permanece estável ao longo do tempo.

Entretanto, devido às forças exercidas continuamente dentro do abdome, pode ocorrer um alargamento progressivo dessa abertura.

Quando isso acontece, gordura abdominal, alças intestinais ou outros tecidos podem protruir ao redor do estoma, formando a hérnia parastomal.

Como o defeito localiza-se exatamente onde existe a ostomia, seu tratamento exige conhecimento específico tanto da cirurgia da parede abdominal quanto da cirurgia colorretal.

O que é uma hérnia parastomal?

A hérnia parastomal é uma hérnia incisional especializada que ocorre ao redor de uma ostomia.

Ela caracteriza-se pela protrusão de conteúdo abdominal através do defeito existente junto ao estoma.

Na prática, o orifício criado para exteriorizar o intestino aumenta progressivamente de tamanho, permitindo a passagem de tecidos que normalmente permaneceriam dentro da cavidade abdominal.

A hérnia pode conter:

  • gordura abdominal (omento);
  • alças do intestino delgado;
  • cólon;
  • outros órgãos abdominais, em situações menos frequentes.

Sua evolução é variável.

Alguns pacientes apresentam apenas discreto abaulamento, enquanto outros desenvolvem hérnias volumosas que comprometem significativamente a qualidade de vida.

Epidemiologia

A hérnia parastomal é considerada a complicação tardia mais comum das ostomias.

Sua incidência varia conforme o tipo de estoma, o tempo de acompanhamento e a técnica cirúrgica utilizada.

Estudos demonstram que:

  • até 50% dos pacientes podem desenvolver hérnia parastomal ao longo do seguimento;
  • em algumas séries, a incidência ultrapassa 60% após vários anos;
  • colostomias apresentam risco maior do que ileostomias;
  • o risco aumenta progressivamente com o passar do tempo.

Apesar de frequente, apenas uma parcela dos pacientes necessitará de tratamento cirúrgico.

Como surge uma hérnia parastomal?

A formação da hérnia resulta da combinação entre um defeito permanente da parede abdominal e o aumento repetitivo da pressão intra-abdominal.

Após a criação da ostomia, o orifício muscular permanece submetido diariamente às forças geradas por:

  • tosse;
  • espirros;
  • evacuação;
  • levantamento de peso;
  • atividades físicas;
  • movimentos habituais do corpo.

Ao longo dos anos, esse defeito pode aumentar progressivamente.

Como consequência, gordura abdominal e alças intestinais passam a protruir ao redor do estoma, originando a hérnia.

Principais causas e fatores de risco

Diversos fatores aumentam o risco de desenvolvimento da hérnia parastomal.

Idade avançada

O envelhecimento reduz naturalmente a resistência dos tecidos da parede abdominal.

Obesidade

O excesso de peso aumenta continuamente a pressão exercida sobre o defeito da ostomia.

Tabagismo

O cigarro prejudica a cicatrização e reduz a qualidade do colágeno.

Tosse crônica

Doenças respiratórias provocam aumentos repetitivos da pressão intra-abdominal.

Constipação intestinal

O esforço evacuatório frequente aumenta a tensão sobre o estoma.

Desnutrição

A deficiência nutricional compromete a qualidade da cicatrização.

Diabetes

Pode prejudicar a cicatrização e favorecer o enfraquecimento da parede abdominal.

Uso prolongado de corticoides

Esses medicamentos reduzem a resistência dos tecidos conjuntivos.

Alterações do colágeno

Pacientes com menor qualidade do tecido conjuntivo apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de hérnias.

Tipo de ostomia

As colostomias apresentam risco mais elevado de hérnia parastomal quando comparadas às ileostomias.

Tempo de evolução do estoma

Quanto maior o tempo de permanência da ostomia, maior tende a ser o risco de desenvolvimento da hérnia.

Classificação da hérnia parastomal

A hérnia parastomal pode ser classificada conforme sua apresentação clínica e anatômica.

Hérnia redutível

O conteúdo retorna espontaneamente ou mediante delicada manipulação.

Representa a forma mais comum.

Hérnia encarcerada

O conteúdo permanece preso ao redor do estoma e não pode mais ser reduzido.

Essa condição exige avaliação médica urgente.

Hérnia estrangulada

Ocorre quando há comprometimento da circulação sanguínea do intestino herniado.

Trata-se de uma emergência cirúrgica.

Hérnia primária

É diagnosticada pela primeira vez após a confecção da ostomia.

Hérnia recorrente

Corresponde ao reaparecimento da hérnia após cirurgia corretiva anterior.

Classificação da European Hernia Society (EHS)

A European Hernia Society propôs uma classificação baseada principalmente em:

  • tamanho do defeito herniário;
  • presença ou ausência de hérnia incisional associada.

Essa classificação auxilia no planejamento cirúrgico e na comparação de resultados científicos entre diferentes estudos.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam conforme o tamanho da hérnia e o comprometimento funcional do estoma.

Os mais frequentes incluem:

  • abaulamento ao redor da bolsa de ostomia;
  • aumento progressivo do volume ao redor do estoma;
  • desconforto ou dor local;
  • sensação de peso;
  • dificuldade para adaptação da bolsa coletora;
  • vazamentos frequentes da bolsa;
  • irritação da pele ao redor do estoma;
  • dificuldade para higienização;
  • alteração da estética abdominal;
  • desconforto durante atividades físicas.
  • Nos casos mais avançados podem ocorrer:
  • encarceramento intestinal;
  • obstrução intestinal;
  • estrangulamento;
  • intensa limitação funcional.

Mesmo pacientes sem dor importante podem apresentar impacto significativo na qualidade de vida devido à dificuldade em manter a bolsa coletora adequadamente posicionada.

Por esse motivo, toda alteração progressiva ao redor de uma ostomia deve ser avaliada por um cirurgião com experiência em cirurgia da parede abdominal e reconstrução de hérnias complexas.

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Diagnóstico, tratamento e recuperação

Quando a hérnia parastomal é uma urgência?

A maioria das hérnias parastomais evolui lentamente e pode ser acompanhada de forma programada.

Entretanto, algumas complicações exigem atendimento médico imediato.

A mais frequente é o encarceramento, situação em que uma alça intestinal ou outro conteúdo abdominal fica preso ao redor do estoma e não consegue retornar para o interior da cavidade abdominal.

Quando essa compressão interrompe o fluxo sanguíneo do intestino, ocorre o estrangulamento, uma emergência cirúrgica que pode levar à necrose intestinal, perfuração, sepse e risco à vida.

Embora essas complicações sejam relativamente incomuns, todo paciente ostomizado deve conhecer seus sinais de alerta.

Quais sinais indicam que devo procurar um pronto-socorro?

Procure atendimento médico imediatamente caso apresente:

  • dor intensa e súbita ao redor do estoma;
  • aumento rápido do abaulamento;
  • hérnia endurecida e muito dolorosa;
  • impossibilidade de reduzir o abaulamento;
  • náuseas e vômitos;
  • ausência de eliminação de fezes ou gases pelo estoma;
  • distensão abdominal importante;
  • alteração da coloração do estoma (arroxeado, escurecido ou pálido);
  • febre;
  • sangramento importante pelo estoma.

Esses sinais podem indicar encarceramento, estrangulamento ou obstrução intestinal e exigem avaliação cirúrgica urgente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da hérnia parastomal baseia-se na história clínica, no exame físico e, frequentemente, em exames de imagem.

Durante a consulta, o cirurgião avalia:

  • tamanho da hérnia;
  • tipo de ostomia;
  • funcionamento do estoma;
  • dificuldade para adaptação da bolsa;
  • presença de dor;
  • alterações da pele periestomal;
  • possibilidade de redução da hérnia;
  • sinais de encarceramento;
  • qualidade da parede abdominal;
  • presença de outras hérnias incisionais associadas.

Além do exame da hérnia, é importante avaliar como ela interfere na rotina e na qualidade de vida do paciente.

Quais exames podem ser necessários?

Os exames de imagem ajudam a definir o conteúdo da hérnia, seu tamanho e a melhor estratégia de tratamento.

Tomografia computadorizada

A tomografia é o principal exame para avaliação da hérnia parastomal.

Ela permite identificar:

  • tamanho do defeito;
  • conteúdo herniado;
  • posição das alças intestinais;
  • presença de encarceramento;
  • hérnias incisionais associadas;
  • qualidade da parede abdominal;
  • relação entre o estoma e as estruturas vizinhas.

Essas informações são fundamentais para o planejamento cirúrgico.

Ultrassonografia

Pode ser utilizada em casos selecionados, principalmente quando existe dúvida diagnóstica.

Entretanto, apresenta menor capacidade de avaliação anatômica quando comparada à tomografia.

Exames laboratoriais

Quando há suspeita de infecção, obstrução intestinal ou estrangulamento, podem ser solicitados exames de sangue para auxiliar na avaliação clínica.

Toda hérnia parastomal precisa operar?

Não.

Diferentemente de outras hérnias da parede abdominal, muitas hérnias parastomais podem ser acompanhadas sem cirurgia, principalmente quando:

  • são pequenas;
  • não causam dor;
  • não dificultam o funcionamento da ostomia;
  • não comprometem a adaptação da bolsa coletora;
  • não apresentam episódios de encarceramento.

A decisão deve sempre ser individualizada.

Existe tratamento sem cirurgia?

Sim.

Em pacientes assintomáticos ou com sintomas leves, o tratamento conservador pode ser uma excelente opção.

Esse acompanhamento inclui:

  • controle do peso corporal;
  • tratamento da tosse crônica;
  • prevenção da constipação;
  • orientação nutricional;
  • acompanhamento com equipe especializada em estomaterapia;
  • adaptação adequada da bolsa coletora;
  • uso de cintas específicas quando indicado.

O objetivo é melhorar a qualidade de vida e reduzir os sintomas, embora essas medidas não eliminem a hérnia.

As cintas para estomia funcionam?

Sim, quando corretamente indicadas.

As cintas específicas para pacientes ostomizados podem:

  • proporcionar maior suporte à parede abdominal;
  • reduzir o desconforto durante atividades físicas;
  • melhorar a fixação da bolsa coletora;
  • diminuir vazamentos;
  • aumentar a sensação de segurança.

Entretanto, elas não corrigem a hérnia e não substituem o tratamento cirúrgico quando este é necessário.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia costuma ser recomendada quando existe:

  • dor persistente;
  • dificuldade para adaptação da bolsa;
  • vazamentos frequentes;
  • irritação importante da pele;
  • hérnia de grande volume;
  • encarceramento;
  • obstrução intestinal;
  • estrangulamento;
  • impacto significativo na qualidade de vida.

A indicação deve considerar também as condições clínicas do paciente e a expectativa em relação ao tratamento.

Como funciona a cirurgia?

O tratamento cirúrgico da hérnia parastomal é mais complexo do que o de outras hérnias da parede abdominal.

Os objetivos são:

  1. reduzir completamente o conteúdo herniado;
  2. reconstruir a parede abdominal;
  3. reforçar o defeito com tela quando indicado;
  4. preservar o funcionamento adequado do estoma;
  5. reduzir o risco de recorrência.

Em alguns pacientes, pode ser necessário reposicionar o estoma para outra região da parede abdominal, embora essa estratégia seja atualmente reservada para situações específicas.

Quais técnicas cirúrgicas existem?

Nas últimas décadas, diversas técnicas foram desenvolvidas para reduzir a elevada taxa de recorrência da hérnia parastomal.

Entre as principais destacam-se:

Técnica de Sugarbaker

Atualmente é uma das técnicas mais utilizadas em cirurgia minimamente invasiva.

Consiste em posicionar uma tela sobre a parede abdominal, permitindo que a alça intestinal permaneça lateralizada, reduzindo o risco de nova hérnia.

Apresenta excelentes resultados em pacientes selecionados.

Técnica Keyhole

Nessa técnica, a tela recebe uma abertura central para permitir a passagem do estoma.

Embora amplamente utilizada durante muitos anos, apresenta taxas de recorrência superiores às observadas com a técnica de Sugarbaker em diversos estudos.

Técnica de Pauli

É uma técnica mais recente e sofisticada que combina princípios da reconstrução retromuscular da parede abdominal com o tratamento da hérnia parastomal.

Pode ser especialmente útil em hérnias complexas e recorrentes.

Outras técnicas

Dependendo das características do paciente, podem ser utilizadas abordagens abertas, híbridas ou outras estratégias reconstrutivas individualizadas.

Cirurgia aberta

A cirurgia aberta continua desempenhando papel importante, especialmente em pacientes com:

  • hérnias muito volumosas;
  • múltiplas cirurgias prévias;
  • hérnias complexas;
  • necessidade de reconstrução extensa da parede abdominal;
  • situações de urgência.

Cirurgia laparoscópica

A laparoscopia oferece diversas vantagens no tratamento da hérnia parastomal:

  • menor dor pós-operatória;
  • menor taxa de infecção da ferida operatória;
  • recuperação mais rápida;
  • excelente visualização da cavidade abdominal;
  • possibilidade de utilização da técnica de Sugarbaker.

Atualmente é uma das principais abordagens para casos eletivos.

Cirurgia robótica

A cirurgia robótica representa uma das maiores evoluções no tratamento das hérnias parastomais.

Sua tecnologia oferece visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e elevada precisão dos movimentos, facilitando reconstruções complexas da parede abdominal.

Além disso, permite dissecção cuidadosa ao redor do estoma, posicionamento anatômico da tela e realização de técnicas avançadas, como a abordagem retromuscular e a técnica de Pauli em pacientes selecionados.

Entretanto, o sucesso do tratamento depende principalmente da experiência da equipe cirúrgica, do planejamento individualizado e da correta indicação da técnica, e não apenas da tecnologia utilizada.

É necessário utilizar tela?

Na grande maioria dos pacientes, sim.

A simples sutura do defeito apresenta elevadas taxas de recorrência.

Por isso, as telas cirúrgicas tornaram-se parte fundamental do tratamento moderno da hérnia parastomal.

As telas atualmente utilizadas são produzidas com materiais biocompatíveis e apresentam excelente perfil de segurança quando corretamente indicadas.

Como é a recuperação?

A recuperação depende da complexidade da reconstrução realizada.

Na maioria dos pacientes:

  • a deambulação é iniciada poucas horas após a cirurgia;
  • a alimentação é retomada progressivamente;
  • o funcionamento da ostomia é cuidadosamente acompanhado;
  • a equipe de estomaterapia participa ativamente dos cuidados pós-operatórios.

O tempo de recuperação varia conforme a técnica utilizada e as condições clínicas do paciente.

Quando posso voltar ao trabalho?

O retorno depende da atividade profissional e da complexidade da cirurgia.

Pacientes com atividades administrativas costumam retornar antes daqueles que realizam esforço físico intenso.

A decisão deve sempre ser individualizada.

Quando posso voltar aos exercícios físicos?

Caminhadas leves costumam ser estimuladas precocemente.

Exercícios mais intensos, musculação e atividades que aumentem significativamente a pressão intra-abdominal devem ser retomados apenas após adequada cicatrização e liberação médica.

É possível prevenir uma hérnia parastomal?

Nem todos os casos podem ser evitados.

Entretanto, algumas medidas reduzem o risco de seu desenvolvimento:

  • controle do peso corporal;
  • interrupção do tabagismo;
  • tratamento da tosse crônica;
  • prevenção da constipação;
  • fortalecimento do estado nutricional;
  • confecção adequada da ostomia;
  • uso profilático de tela durante a criação do estoma em pacientes selecionados, conforme recomendação das diretrizes atuais.

Prognóstico

A hérnia parastomal pode comprometer significativamente a qualidade de vida, principalmente quando interfere no funcionamento da ostomia e na adaptação da bolsa coletora.

Felizmente, os avanços da cirurgia da parede abdominal permitiram o desenvolvimento de técnicas cada vez mais eficazes para sua correção.

Com planejamento adequado, indicação individualizada e tratamento realizado por equipe especializada, a maioria dos pacientes apresenta melhora importante dos sintomas, recuperação funcional e excelente qualidade de vida após a cirurgia.

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Sobre o Especialista (E-E-A-T)

Sobre o especialista

Tratamento especializado da hérnia parastomal e reconstrução da parede abdominal

A hérnia parastomal é uma das condições mais desafiadoras da cirurgia da parede abdominal.

Ao contrário de outras hérnias, seu tratamento envolve não apenas a reconstrução da parede abdominal, mas também a preservação do funcionamento adequado da ostomia, o controle dos sintomas e a manutenção da qualidade de vida do paciente.

Além disso, muitos pacientes apresentam cirurgias abdominais prévias, aderências, doenças oncológicas ou inflamatórias intestinais, tornando cada caso único e exigindo planejamento cirúrgico individualizado.

Nas últimas décadas, o tratamento da hérnia parastomal evoluiu significativamente. Atualmente, técnicas modernas de reconstrução associadas ao uso de telas e às abordagens minimamente invasivas proporcionam melhores resultados, menores taxas de recorrência e recuperação mais rápida em pacientes selecionados.

O sucesso do tratamento depende da correta indicação cirúrgica, do conhecimento da anatomia da parede abdominal, da experiência com reconstruções complexas e da integração entre cirurgia da parede abdominal, cirurgia colorretal e estomaterapia.

Dr. Guilherme Humeres Abrahão

O Dr. Guilherme Humeres Abrahão é médico especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo, com atuação dedicada às doenças da parede abdominal, cirurgia robótica e cirurgia digestiva de alta complexidade.

Sua prática clínica inclui o tratamento de hérnias inguinais, femorais, umbilicais, epigástricas, incisionais, de Spiegel, parastomais, ventrais e hérnias complexas, além da reconstrução funcional da parede abdominal em pacientes com diástase dos músculos retos do abdome.

No tratamento da hérnia parastomal, realiza uma avaliação individualizada considerando as características da ostomia, o tamanho da hérnia, o impacto funcional, as cirurgias anteriores, as condições clínicas e os objetivos do paciente.

Essa abordagem permite selecionar a estratégia terapêutica mais adequada, sempre priorizando segurança, funcionalidade e qualidade de vida.

Além da assistência clínica, participa continuamente de programas de atualização científica e treinamento avançado em cirurgia aberta, laparoscópica e robótica aplicada às doenças da parede abdominal.

Formação e qualificação

  • Médico especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo.
  • Mestre em Ciências da Cirurgia.
  • Cirurgião Robótico certificado internacionalmente.
  • Diretor Técnico do Instituto Gastrovale.
  • Atuação em hospitais de referência em cirurgia robótica no Estado de São Paulo.
  • Experiência em reconstrução da parede abdominal e cirurgia digestiva de alta complexidade.

Experiência em cirurgia robótica

A cirurgia robótica representa um dos maiores avanços no tratamento das hérnias complexas da parede abdominal.

Sua tecnologia oferece visão tridimensional em alta definição, instrumentos articulados e precisão milimétrica dos movimentos, permitindo dissecação cuidadosa ao redor do estoma e reconstrução anatômica da parede abdominal.

Na hérnia parastomal, essa plataforma facilita a realização de técnicas modernas, como reconstruções retromusculares e abordagens avançadas, incluindo a técnica de Pauli em pacientes selecionados.

A cirurgia robótica também pode proporcionar menor trauma cirúrgico, recuperação mais rápida e excelente visualização anatômica, especialmente em pacientes com múltiplas cirurgias prévias.

Entretanto, o principal determinante do sucesso continua sendo a experiência da equipe cirúrgica e a correta seleção da técnica para cada paciente.

Nossa filosofia de tratamento

A hérnia parastomal não deve ser tratada apenas como um defeito da parede abdominal.

Nosso objetivo é restaurar a funcionalidade do estoma, melhorar a qualidade de vida e oferecer uma reconstrução duradoura, respeitando as características individuais de cada paciente.

Antes de indicar qualquer tratamento, avaliamos cuidadosamente:

  • tipo de ostomia;
  • doença que motivou sua confecção;
  • tempo de evolução do estoma;
  • tamanho da hérnia;
  • funcionamento da ostomia;
  • adaptação da bolsa coletora;
  • estado da pele periestomal;
  • hérnias associadas;
  • cirurgias prévias;
  • índice de massa corporal;
  • doenças associadas;
  • estado nutricional;
  • atividade profissional;
  • expectativas do paciente.

A partir dessa avaliação, definimos um plano terapêutico personalizado, baseado nas melhores evidências científicas disponíveis.

Nosso compromisso é oferecer tratamento seguro, reduzir o risco de recorrência e preservar ao máximo a autonomia e a qualidade de vida do paciente ostomizado.

Compromisso com a medicina baseada em evidências

Todo o conteúdo desta página possui finalidade exclusivamente educativa e foi elaborado com base em literatura científica atualizada e nas recomendações das principais sociedades médicas relacionadas à cirurgia da parede abdominal, cirurgia colorretal e estomias.

As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.

Nosso objetivo é fornecer conteúdo confiável, atualizado e de fácil compreensão para auxiliar pacientes e familiares na tomada de decisões informadas sobre o tratamento da hérnia parastomal.

Referências científicas utilizadas

Este conteúdo foi elaborado com base nas recomendações e publicações das principais entidades científicas nacionais e internacionais, incluindo:

  • European Hernia Society (EHS).
  • HerniaSurge Group.
  • International Endohernia Society (IEHS).
  • Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES).
  • Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH).
  • American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS).

As recomendações apresentadas podem ser revisadas periodicamente conforme a publicação de novas evidências científicas.

Política editorial

Este conteúdo foi elaborado e revisado pelo Dr. Guilherme Humeres Abrahão com o objetivo de fornecer informações médicas confiáveis, atualizadas e baseadas em evidências científicas.

O projeto Parede Abdominal 360®️ tem como missão produzir conteúdo de excelência sobre doenças da parede abdominal, contribuindo para a educação em saúde, o fortalecimento da relação médico-paciente e a tomada de decisão compartilhada.

Todos os materiais publicados passam por revisão periódica para acompanhar a evolução do conhecimento científico e das diretrizes internacionais.

Última revisão médica: Julho de 2026.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

Perguntas frequentes sobre hérnia parastomal

1. O que é uma hérnia parastomal?

A hérnia parastomal é uma hérnia que se desenvolve ao redor de uma ostomia (estoma), como uma colostomia, ileostomia ou urostomia. Ela ocorre quando parte do intestino ou da gordura abdominal protrui através do orifício criado para exteriorizar o estoma.

2. A hérnia parastomal é comum?

Sim.

Ela é considerada a complicação tardia mais frequente das ostomias. Dependendo do tipo de estoma e do tempo de acompanhamento, pode ocorrer em até metade dos pacientes.

3. Toda pessoa com estomia desenvolverá uma hérnia?

Não.

Embora o risco seja relativamente elevado, muitos pacientes nunca desenvolvem hérnia parastomal. O risco depende de fatores como idade, obesidade, técnica cirúrgica, doenças associadas e tempo de evolução da ostomia.

4. Quanto tempo após a cirurgia ela pode aparecer?

Ela pode surgir poucos meses após a criação do estoma, mas é mais comum que apareça progressivamente ao longo dos anos.

5. Quais ostomias apresentam maior risco?

As colostomias geralmente apresentam maior risco de hérnia parastomal do que as ileostomias. Entretanto, qualquer tipo de estoma pode desenvolver essa complicação.

6. Quais são os principais sintomas?

Os sintomas mais frequentes são:

  • abaulamento ao redor do estoma;
  • sensação de peso;
  • dor ou desconforto local;
  • dificuldade para adaptação da bolsa coletora;
  • vazamentos frequentes;
  • irritação da pele ao redor do estoma.

7. A hérnia pode existir sem dor?

Sim.

Muitos pacientes apresentam apenas aumento do volume ao redor do estoma, sem dor importante.

8. Como saber se meu abaulamento é realmente uma hérnia?

O diagnóstico é realizado pelo cirurgião através do exame físico e, quando necessário, complementado por exames de imagem, principalmente a tomografia computadorizada.

9. A tomografia é sempre necessária?

Nem sempre.

Entretanto, ela é o exame mais completo para avaliar o tamanho do defeito, o conteúdo da hérnia e planejar uma eventual cirurgia.

10. A hérnia parastomal pode aumentar com o tempo?

Sim.

Na maioria dos casos, o defeito tende a aumentar progressivamente devido à pressão exercida sobre a parede abdominal.

11. A hérnia pode atrapalhar o funcionamento da bolsa?

Sim.

Esse é um dos principais problemas causados pela hérnia parastomal. O abaulamento pode dificultar a vedação da bolsa, favorecendo vazamentos e irritação da pele.

12. A hérnia pode causar vazamentos frequentes?

Sim.

Quando altera o formato da pele ao redor do estoma, torna-se mais difícil obter uma vedação adequada da bolsa coletora.

13. O uso de cinta resolve a hérnia?

Não.

As cintas oferecem suporte, aliviam sintomas e podem melhorar a adaptação da bolsa, mas não corrigem o defeito da parede abdominal.

14. Posso praticar exercícios físicos?

Na maioria dos casos, sim.

A prática de atividade física orientada costuma ser benéfica. Exercícios que aumentam muito a pressão intra-abdominal devem ser discutidos com o cirurgião.

15. Levantar peso piora a hérnia?

Pode contribuir para a progressão da hérnia, principalmente quando realizado de forma repetitiva e sem orientação adequada.

16. Existe tratamento sem cirurgia?

Sim.

Pacientes com poucos sintomas podem ser acompanhados com medidas conservadoras, incluindo controle do peso, cintas específicas e acompanhamento com estomaterapia.

17. Toda hérnia parastomal precisa operar?

Não.

A cirurgia é indicada principalmente quando há dor, dificuldade para adaptação da bolsa, vazamentos frequentes, comprometimento da qualidade de vida ou complicações como encarceramento.

18. Quando a hérnia se torna uma urgência?

Quando ocorre encarceramento ou estrangulamento, situações que podem provocar obstrução intestinal e comprometimento da circulação sanguínea do intestino.

19. Quais sinais indicam emergência?

Procure atendimento imediatamente se apresentar:

  • dor intensa;
  • hérnia endurecida;
  • náuseas ou vômitos;
  • ausência de eliminação de fezes ou gases;
  • alteração da cor do estoma;
  • febre;
  • aumento súbito do abaulamento.

20. Como funciona a cirurgia?

O procedimento consiste em reduzir o conteúdo herniado, reconstruir a parede abdominal e reforçar a região com uma tela cirúrgica quando indicado.

21. Sempre é necessário trocar o estoma de lugar?

Não.

Hoje, sempre que possível, procura-se preservar o estoma na mesma posição. A mudança do local é reservada para situações específicas.

22. A cirurgia utiliza tela?

Na maioria dos pacientes, sim.

O uso da tela reduz significativamente o risco de recorrência quando comparado ao fechamento apenas com pontos.

23. A tela é segura para pacientes ostomizados?

Sim.

As telas modernas são biocompatíveis e amplamente utilizadas na reconstrução da parede abdominal quando corretamente indicadas.

24. Qual técnica cirúrgica é considerada a melhor?

Não existe uma única técnica ideal para todos os pacientes.

A escolha depende do tamanho da hérnia, do tipo de estoma, das cirurgias anteriores e da experiência da equipe cirúrgica.

25. O que é a técnica de Sugarbaker?

É uma das técnicas mais utilizadas atualmente para correção da hérnia parastomal. Ela posiciona a tela de forma que a alça intestinal permaneça lateralizada, reduzindo o risco de recorrência.

26. O que é a técnica de Pauli?

É uma técnica mais recente de reconstrução retromuscular, indicada principalmente para casos complexos e pacientes selecionados.

27. A cirurgia pode ser feita por laparoscopia?

Sim.

A laparoscopia oferece menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e excelente visualização da parede abdominal em muitos casos.

28. A cirurgia robótica pode ser utilizada?

Sim.

A cirurgia robótica facilita reconstruções complexas da parede abdominal, oferecendo maior precisão e excelente visualização anatômica em pacientes selecionados.

29. Quanto tempo dura a cirurgia?

O tempo varia conforme a complexidade do caso, mas geralmente fica entre 1 e 3 horas.

30. Quanto tempo fico internado?

Em cirurgias eletivas, muitos pacientes recebem alta em um ou dois dias. Casos mais complexos podem exigir internação mais prolongada.

31. Quando posso voltar ao trabalho?

Depende da atividade profissional e da extensão da cirurgia. Trabalhos administrativos costumam permitir retorno mais precoce do que atividades que exigem esforço físico.

32. A hérnia pode voltar após a cirurgia?

Pode.

Embora as técnicas atuais reduzam significativamente esse risco, nenhuma cirurgia elimina completamente a possibilidade de recorrência.

33. É possível prevenir uma hérnia parastomal?

Não completamente.

Entretanto, manter peso adequado, evitar tabagismo, tratar tosse crônica, controlar a constipação e utilizar técnicas cirúrgicas modernas ajudam a reduzir o risco.

34. O uso preventivo de tela durante a criação da ostomia funciona?

Sim.

Em pacientes selecionados, a colocação profilática de tela no momento da confecção do estoma pode reduzir a incidência futura de hérnia parastomal e é recomendada por diretrizes internacionais em situações específicas.

35. Qual é o prognóstico da hérnia parastomal?

A maioria dos pacientes apresenta excelente evolução quando o tratamento é individualizado e realizado por equipe experiente. Com as técnicas modernas de reconstrução da parede abdominal, é possível aliviar os sintomas, melhorar o funcionamento da ostomia, reduzir vazamentos e proporcionar importante ganho na qualidade de vida.

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Escrito por: Dr. Guilherme Humeres Abrahão | Cirurgião do Aparelho Digestivo • Cirurgião Oncológico Digestivo • Mestre em Ciências da Cirurgia • Cirurgião Robótico Certificado, CRM-SP 147.629 | RQE 82.382

Dr. Guilherme Humeres Abrahão
Diretor Técnico
CRM 147629